O que pode ser reciclado?
Papel - Os papéis
recobertos com outro tipo de material, como o plástico (papéis plastificados)
ou alumínio (papéis laminados) são de difícil reaproveitamento, portanto são
também considerados não recicláveis. Um caso distinto, com relação a papéis em
várias camadas, é o das embalagens cartonadas tipo longa vida, cujo material é
formado por três tipos diferentes de matérias-primas (papel, alumínio e
plástico). Sua reciclagem é possível, porém dificultada pela existência de
poucas plantas industriais que atuam no reprocessamento e pelas condições
impostas por essas empresas para sua coleta (exige-se que o material esteja
limpo, prensado e em grande tonelagem).
A
reciclagem do papel apresenta muitas vantagens, como a preservação de recursos
naturais, economia de água e energia e menor custo da matéria-prima. A
manutenção das florestas naturais, com a redução de áreas reservadas ao plantio
de espécies próprias para a produção de papel é um importante fator de
manutenção do equilíbrio ecológico do planeta e redução dos poluentes
atmosféricos. O Brasil reciclou, no ano de 1998, cerca de 35% do papel
existente. Considerando-se que uma parcela do papel não é mesmo reciclável e
que parte desse material é utilizado para fins não descartáveis (como livros e
documentos, por exemplo), essa porcentagem é muito significativa.
O papel é
um material de fácil encaminhamento para reciclagem, quando segregado em
programas de coleta seletiva, pois tem sido sempre possível encontrar um
catador autônomo, uma instituição beneficente ou mesmo um sucateiro interessado
em retirá-lo. Isso se deve ao interesse econômico da indústria produtora de
papel em absorver todo o material coletado, pois a adição de aparas reduz
sensivelmente o custo de produção.
Plásticos - O
plástico é um material proveniente de resinas geralmente sintéticas e derivadas
do petróleo. Ambientalmente o uso do plástico é considerado problemático pela
sua alta durabilidade e grande volume na composição total do lixo.
Quando
depositados em lixões, os plásticos apresentam risco pela queima indevida e sem
controle, que pode resultar em emanações tóxicas na atmosfera. Quando colocado
em aterros sanitários, esse material dificulta a compactação do material e
prejudica a decomposição dos elementos biologicamente degradáveis.
Vidro - O vidro é
um material proveniente basicamente de matérias-primas como areia, barrilha,
calcário e feldspato. É utilizado para a produção de embalagens, vasilhames,
vidros planos lisos (vidro de janelas), cristais, panelas, lâmpadas, miolo de
garrafas térmicas e muitos outros artigos.
O vidro
apresenta a vantagem de poder ser reutilizado, pois possibilita sua
esterilização, com alto grau de segurança. O uso de embalagens de vidro
reutilizáveis foi uma prática ambientalmente adequada muito difundida até
poucos anos atrás, quando começou a ser substituída pelas embalagens plásticas
ou mesmo de vidro, porém descartáveis.
Metais - Os metais
são classificados em dois grandes grupos: os ferrosos (basicamente ferro e aço)
e os não ferrosos (alumínio, cobre, chumbo, etc.). Os metais mais presentes no lixo
domiciliar são aqueles utilizados para embalagens de produtos alimentícios e
tampas de recipientes de vidro. Em menor quantidade encontram-se outros
produtos de uso doméstico, como panelas, esquadrias, restos de equipamentos de
cozinha, etc.
A reciclagem
do metal é ambientalmente muito interessante, pois evita a retirada de minérios
do solo, minimizando o impacto ambiental acarretado pela atividade mineradora,
além de reduzir em muito o volume de água e energia necessários para a produção
de novos artigos.
Lixo
orgânico - A
reciclagem tanto pode ser aplicada aos resíduos já citados quanto aos resíduos
orgânicos (restos de frutas, legumes, alimentos em geral, folhas , grama,
gravetos, etc.), desde que esse lixo seja processado, de maneira a serem transformados
em adubo orgânico. Essa transformação chama-se compostagem.
O
resultado final da compostagem pode ser adicionado ao solo para melhorar suas
características, sem oferecer ameaça para o meio ambiente, como acontece com os
adubos químicos. A compostagem de resíduos orgânicos pode vir a ter grande
importância na redução do volume do lixo do país, pois a parte orgânica
constitui-se habitualmente na maior parcela na composição dos resíduos
domiciliares municipais (cerca de 62%, em média) . É possível reciclar o
lixo orgânico em quintais, escolas, empresas e até em apartamentos.
Lâmpadas de mercúrio - As lâmpadas que
emitem gases, como as lâmpadas de vapor de mercúrio, de vapor de sódio, de luz
mista e as lâmpadas fluorescentes (mais conhecida como luz "fria")
contém substâncias nocivas ao meio ambiente, como metais pesados, onde se
sobressai o mercúrio metálico.
Enquanto estão
inteiras, as lâmpadas não oferecem riscos, mas quando quebradas liberam o
mercúrio na atmosfera, podendo causar problemas na saúde dos seres humanos
(quando ingerido ou inalado, o mercúrio ataca o sistema nervoso, podendo causar
de lesões leves até a vida vegetativa ou a morte). O mercúrio liberado pelas
lâmpadas fluorescentes podem causar graves problemas ambientais, contaminando o
solo e a água.
Existem várias empresas no Brasil que reciclam
essas lâmpadas, separando os componentes metálicos, o vidro e o mercúrio, para
encaminhamento ao mercado. Entretanto esse processo é mais caro que o valor dos
produtos obtidos, portanto as empresas exigem pagamento para desenvolvê-lo, e é
preciso ter uma quantidade significativa (pelo menos 100 lâmpadas).
No ambiente
doméstico deve ser tomado todo o cuidado para que a lâmpada não se quebre e, se
isso ocorrer, evitar respirar próximo à lâmpada. Se possível, guarde as caixas
de papelão da embalagem para recolocá-las de volta, no momento do
descarte.
Empresas e
outros locais onde o descarte de lâmpadas fluorescentes é muito grande deveriam
enviá-las para reciclagem, embora arcando com os custos dessa atitude em
benefício do meio ambiente.
Pilhas e baterias - Atualmente
existem poucos locais que realmente enviam as pilhas para reciclagem,
precisamos tomar muito cuidado, pois somente a presença de um coletor ou
lixeira especial não quer dizer que as pilhas estejam sendo recicladas.
A reciclagem das
pilhas (ao contrário dos outros materiais) é cara e não tem retorno financeiro,
por isso são poucas as empresas que pagam por esse serviço.
Clicando nas
imagens abaixo são abertas janelas novas com informações dos programas de
coleta de pilhas da Drogaria São Paulo e do Banco Real-Santander.
Entulho - Entulho é o
resíduo resultante das atividades relacionadas à construção civil, constituído
por fragmentos ou restos de tijolos, argamassa, aço, madeira, azulejos,
etc.
O entulho forma
uma parcela importante na composição do lixo das cidades. No município de São
Paulo são geradas diariamente 4.000 toneladas, segundo dados do LIMPURB
(IPT/CEMPRE, 2000). Esse volume, entretanto, pode ser na realidade muito maior,
pois grande parte desses resíduos é coletado clandestinamente e disposto em terrenos baldios, vias públicas, margens de
rios, etc., causando graves problemas ambientais.
O entulho pode
ser transformado, através da reciclagem, em um produto a ser utilizado na
pavimentação de estradas, construção de guias e sarjetas, obras de drenagem,
calçadas ou outros usos próprios da construção civil.
A reciclagem do
entulho, como dos demais materiais, exige participação da população (para que
não haja contaminação do material inerte com resíduos orgânicos, por exemplo) e
coleta diferenciada.
Atualmente na
cidade de São Paulo existem os Ecopontos, locais construídos pela prefeitura
onde a população pode levar móveis velhos, restos de poda e de construção civil
para serem reciclados ou aproveitados.
Pneus - Os pneus causam
problemas quando descartados e misturados ao lixo comum, pois não podem ser
colocados em aterros sanitários, uma vez que tendem a subir e sair à
superfície. Os pneus, por não serem recolhidos pela coleta municipal, costumam
ser dispostos inadequadamente pela população, assoreando rios e lagos e
constituindo-se em focos de incêndios ou proliferação de insetos transmissores
de doenças.
Há diversas
possibilidades de reciclagem de pneus, como por exemplo para transformação em
produto para pavimentação de estradas ou para utilização como combustível na
geração de energia. É possível também sua reutilização na engenharia civil,
para a construção de quebra-mares, barreiras de contenção ou acostamento de
estradas. No Brasil, entretanto, a reutilização desse material é muito limitada
e a reciclagem praticamente inexiste. A utilização dos pneus como combustível
para queima em fornos de cimento está sendo experimentada, embora em pequena
escala.
Lixo eletrônico - Podemos definir como lixo eletrônico ou e-lixo tudo o que é
proveniente de equipamentos eletroeletrônicos, incluindo celulares,
computadores, impressoras etc.
Milhares de aparelhos são descartados diariamente, e com a rapidez da
tecnologia, cada vez mais o consumidor quer substituir seus aparelhos por
outros mais modernos, mesmo que os "antigos" ainda estejam
funcionando.
O lixo eletrônico causa um grave problema para o meio ambiente, pois
consome uma enorme quantidade de recursos naturais em sua produção. Um único
laptop, por exemplo, exige 50 mil litros d'água em seu processo de fabricação.
Além disso, se considerarmos que a vida útil desses equipamentos é muito curta
- a de um computador gira em torno de três anos, e a de um celular, cerca de
dois anos - podemos ter dimensão da quantidade de lixo que o descarte de
eletrônicos significa.
A parte mais grave é o conteúdo do e-lixo, que inclui metais pesados
como chumbo, cádmio e mercúrio, além de outros elementos tóxicos. Por este
motivo, esses resíduos precisam de tratamento adequado para não causar danos à
saúde e ao meio ambiente.
Quem irá receber e para onde
vão os materiais
Algumas
cidades do Brasil já possuem programa de coleta seletiva organizado, neste caso
contate a prefeitura e combine horário e frequência de coleta.
Porém,
a maioria dos municípios não dispõe de um sistema de coleta seletiva, neste
caso procure saber se existe na região grupos de catadores, sucateiros,
ferros-velhos, ou iniciativas comunitárias e de organizações não governamentais
que coletem materiais recicláveis.
Existem
empresas que compram esses materiais, você pode encontra-las na lista
telefônica do seu município.
O
material separado, no entanto, o retorno financeiro nem sempre é expressivo.
Sugere-se até, em alguns casos, doação.
Vale
ressaltar que os resultados mais relevantes de um processo de coleta seletiva
são o combate ao desperdício e a preservação ambiental. O retorno econômico e o
compromisso social podem ser somados aos benefícios alcançados.
Ao
ser entregue aos catadores, o material separado é levado para um depósito onde
ele é triado, prensado e enfardado com o auxílio de prensas hidráulicas. Desse
modo o volume de material é reduzido, otimizando o uso do espaço e facilitando
a organização. Os fardos separados por tipo de material são vendidos para os
grandes sucateiros ou aparistas, que por sua vez vendem para as indústrias
recicladoras.
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